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Desgaste emocional e psicológico crescente: o impacto das redes sociais para quem vive delas

Para criadores de conteúdo e influenciadores, a constante exposição, a pressão por resultados e a oscilação do engajamento podem comprometer a saúde mental — estudos recentes mostram que o uso intenso e dependente de redes sociais está ligado a sintomas de ansiedade, depressão e estresse.

Co.Cria – Cohub (Pedro Kalli)

O cenário da saúde mental no mundo digital

Vivemos uma era em que redes sociais são plataformas de expressão, visibilidade e trabalho para muitas pessoas. Para quem atua como criador de conteúdo, como no caso do perfil de forma pública nas redes, essa exposição contínua torna-se um componente central da rotina — e também um fator de risco para o equilíbrio psicológico.
Estudos recentes apontam que, entre adultos que utilizam redes sociais de modo intenso ou dependente, há associação significativa com sintomas de depressão, ansiedade e estresse. Por exemplo, uma pesquisa com profissionais que usavam redes sociais de forma excessiva encontrou correlação entre vício em mídia social e aumento de depressão, ansiedade e estresse. BioMed Central+1
Outro estudo mais amplo com jovens adultos identificou que o tipo de conteúdo, a frequência da comparação social e a natureza da interação nas redes são determinantes para os impactos sobre a saúde mental. SpringerLink+1
Essa relevância é especialmente forte para quem transforma em trabalho a sua presença digital: o público, os números de visualização, os comentários negativos e a necessidade de estar sempre conectado fazem parte de uma dinâmica de desgaste emocional que vai além do “uso pessoal” de redes.


Por que quem trabalha com redes sociais fica mais vulnerável

Para isso convidamos três influenciadores de diferentes nichos para contar um pouco sobre desgaste mental em suas profissões, e é unânime, todos eles defendem que as pessoas precisam cuidar melhor da sua saúde mental, mesmo que seja para trabalhar criando conteúdo.

Thaiga é uma influenciadora renomada no universo dos games e que já conta com mais de 10 milhões de seguidores, somadas todas as suas redes sociais. A influenciadora possui quase 10 anos de carreira sólida e de destaque no universo online de games e de influência e garante, “Todo mundo deveria fazer terapia”. Formada e já pós graduada, Thaiga destaca que com tudo que já passou na carreira, desde pandemia há fãs fervorosos, ela diz que o melhor é cuidar da saúde mental e emocional em um mundo que muitos só se preocupam com likes e número de seguidores, ela garante que já passou pelo burnout mas só se deu conta que o estava acontecendo quando passou, devido a tanta correria do dia a dia, entregas, gravações e muita demanda diária em diversos fatores e hoje ela tem ciência que é necessário desacelerar e cuidar de si mesma.

Co.Cria – Cohub (Pedro Kalli)
Co.Cria – Cohub (Pedro Kalli)
Co.Cria – Cohub (Pedro Kalli)

Exposição constante e pressão por desempenho

Criadores de conteúdo enfrentam uma rotina em que o “produto” é muitas vezes sua própria imagem, seu humor e a sua disponibilidade para responder a comentários, mensagens e demandas. Essa condição gera uma pressão de desempenho intensa: engajamento é visibilidade, visibilidade é posicionamento, e o ciclo se retroalimenta.
Além disso, a expectativa de responder rapidamente a mudanças de algoritmo, manter relevância e gerar conteúdo novo de forma quase contínua pode levar ao desgaste. O feedback negativo ou a queda de engajamento funcionam como gatilhos para sentimentos de fracasso ou insegurança.

Comparação social e identidade pública

Redes sociais favorecem a comparação — tanto para usuários comuns quanto para criadores. Um estudo recente mostrou que comportamentos de comparação social nas redes estão fortemente ligados a piora da saúde mental, especialmente quando o usuário compara seu próprio perfil (ou seus resultados) com os de outros. SpringerLink+1
Para quem está em evidência, essa comparação é dupla: comparar-se com outros criadores de sucesso e perceber que seu público — ou seus resultados — não correspondem às expectativas. Isso pode gerar sensação de inadequação, ansiedade ou mesmo desânimo.

Co.Cria – Cohub (Pedro Kalli)

Ausência de fronteiras — trabalho e vida pessoal se misturam

Quando o perfil nas redes é também fonte de renda ou visibilidade profissional, as fronteiras entre vida pessoal e trabalho tendem a se diluir. A necessidade de estar “ligado”, a qualquer momento, atender mensagens ou críticas, se comparar aos números do dia anterior, essas práticas prolongam o tempo de ativação mental, diminuem a recuperação emocional e aumentam o risco de burnout emocional.

Vício em plataforma, engajamento e reforço imediato

Outra variável importante é o design das plataformas: notificações, recompensas instantâneas (curtidas, visualizações), comparações e métricas visíveis favorecem um ciclo de engajamento forte — que, por sua vez, pode gerar dependência comportamental. Um estudo com profissionais demonstrou que o vício em redes sociais (ou uso problemático) está ligado a maior sintomatologia de estresse, ansiedade e depressão. BioMed Central
Para criadores que se apoiam em engajamento, a oscilação desses números, ou a sensação de “estar sempre atrás” do próximo post ou da próxima métrica, torna-se uma carga emocional significativa.

Ouvimos também Bruninho Cruz, conhecido pelos seus conteúdos de humor mais ácidos, Bruno não é apenas um influenciador tentado se dar bem nessa profissão, o jovem que já conta com mais de 6 milhões de seguidores somada suas redes sociais, é formado e sabe muito bem o que quer e quais são seus objetivos nessa carreira.

O Criador de conteúdo Bruninho Cruz, destaca que sempre foi o sonho dele trabalhar com as redes sociais, de se comunicar com o público. Formado em marketing, Bruninho diz que só percebeu a dependência pelas redes e o início de burnout, quando perdeu uma de suas contas. O influenciador diz que nesse momento percebeu que precisava dosar o que era trabalho do que era vida particular, até então ele não havia feito essa divisão tão necessária.

Bruninho Cruz reforça que sua profissão não é imune a desgaste mental e disse que pode até ser mais privilegiada mas não afasta os problemas que tem, como em qualquer outra profissão. O criador de conteúdo comenta que vai além do fato de apenas criar, “só o fato de estar na frente do celular o tempo todo, já gera um desgaste”. O que abre um alerta para o tempo de tela que todos os brasileiros estão tendo ao longo do tempo, esse número tem aumentado e não parece estacionar, milhares de pessoas ficam em média 8 horas por dia no celular e em muitos casos esse número é até maior, gerando desgaste mental, emocional (ansiedade) e problemas de visão.

Co.Cria – Cohub (Pedro Kalli)
Co.Cria – Cohub (Pedro Kalli)
Co.Cria – Cohub (Pedro Kalli)

Dados e evidências: quando o “estar conectado” pesa

  • Em um estudo realizado com profissionais adultos que usavam redes sociais intensivamente foi observado que níveis mais altos de “dependência de rede social” correlacionaram-se com escores mais altos nos índices de estresse, ansiedade e depressão. PubMed+1
  • Um levantamento com jovens adultos encontrou que o tempo gasto nas plataformas por si só não basta para predizer o impacto, mas o tipo de uso (passivo, comparativo, centrado em aparências) é um fator decisivo. SpringerLink+1
  • Pesquisa com adultos na Romênia mostrou que a qualidade de vida digital — medindo vício em redes sociais, afetos positivos e negativos — revela que altos níveis de uso de redes estão associados a menor qualidade de vida, dependendo do equilíbrio emocional e da regulação afetiva. SpringerLink
  • Em contexto mais específico, um estudo com criadores de conteúdo em Teerã identificou que desafios ocupacionais, emocionais e sociais são vivenciados de forma diferente para quem produz conteúdo digital profissionalmente — deixando claro que a profissão de criador traz riscos próprios ao bem-estar psicológico. mhljournal.com

Co.Cria – Cohub (Pedro Kalli)

Não conseguimos desgrudar das redes

Que a internet faz parte do nosso dia a dia, isso todo mundo já sabe, mas ficar longe mesmo que seja por alguns momentos tem se tornado cada vez mais difícil. O importante é sempre dosar o mundo real do digital, mesmo que sua profissão seja essa, muitas horas imerso na internar,

O papel do portal Sonhei Falei e o alerta para o público

Em novembro, mês em que inúmeros criadores se preparam para metas de fim de ano, lançamentos ou aumento de produção, é fundamental reforçar que saúde mental também é trabalho. Para quem transforma redes sociais em profissão, acompanhar o engajamento não basta: é preciso acompanhar o próprio estado emocional.
O portal pode destacar que nem todo “sucesso online” vem sem custo interno, e que os bastidores da criação de conteúdo envolvem desafios reais de regulação emocional, limites de vida profissional e expectativas sociais. E que entender essas dinâmicas ajuda tanto os criadores quanto seus públicos — porque usuários também se impactam pela forma como consomem conteúdos, pela pressão das métricas e pelo padrão de vida idealizado que veem.

Convidamos a influenciadora Tati Emy uma influenciadora que ama criar e encontrou nas redes o abraço dos fãs em um momento de sua vida que mais precisou. Tati tem mais de 1.5 Milhões de seguidores somada todas as suas redes sociais e para ela, a internet trouxe um norte de vida e carreira muito sólido. Formada em Rádio, Tv e comunicação, ela mostra que mesmo amando o que faz, mesmo curtindo cada momento, o cuidado com sua saúde mental é indispensável.

Tati reforça que caso a pessoa não tenha uma base mais sólida, não esteja preparada, a carreira nas redes sociais pode abalar a vida dela em grande escala, terapia, hobbies e muito foco no que você quer, são essenciais para ser um influenciador hoje em dia.

Por ter começado tão cedo, as críticas foram muito fortes em cima do seu trabalho, além de ter que se focar no seu trabalho, Tati passou muito nova por situações muito delicadas que exigem emocional psicológico bem forte.

Co.Cria – Cohub (Pedro Kalli)
Co.Cria – Cohub (Pedro Kalli)
Co.Cria – Cohub (Pedro Kalli)

Como esse desgaste se manifesta no dia a dia

  • Fadiga mental: sensação de estar “sempre ligado”, dificuldade para desconectar após postagens ou lives, preocupação constante com retorno de engajamento.
  • Oscilação emocional: altas por bons resultados, quedas motivacionais quando os números não seguem, ansiedade pela próxima postagem ou pelo próximo comentário negativo.
  • Comparação e autocrítica: revisitar métricas, comparar-se com outros criadores, sentir-se insuficiente ou “não à altura”.
  • Impacto no sono e no descanso: uso de dispositivos fora de hora, revisão de métricas à noite, mensagem não lida perturbando o sono, agravando a recuperação emocional.
  • Síntomas psicológicos: relatos de ansiedade, estresse aumentado, sensação de sobrecarga, dificuldade de regulação afetiva, e, em casos, sintomas de depressão ou “apagão criativo”.
  • Mistura vida-trabalho: sentir que “trabalho” e “ser eu mesmo” são a mesma coisa, sem pausa verdadeira, o que impede uma recuperação emocional adequada.

Estratégias práticas para preservar a saúde mental no universo das redes

1. Estabeleça limites de presença digital
Criadores devem definir horários de postagem, intervalos de descanso, e momentos em que optam por não abrir métricas. Pausas reais favorecem a recuperação emocional.
2. Reduza a comparação social ativa
Evitar checar constantemente o que “outros criadores” fizeram ou o que “deveria ter sido meu resultado”. Focar no próprio processo, no próprio estilo e no crescimento pessoal.
3. Diversifique a identidade profissional
Ter outras fontes de significado além dos números: projetos que não dependem de engajamento imediato, atividades offline, hobbies, conexão com amigos e família. Isso gera resiliência emocional.
4. Participe de comunidades de suporte ou peer-support
Conversar com outros criadores, psicólogos, profissionais de saúde mental ou colegas que entendem essa realidade ajuda a externalizar o peso emocional e obter estratégias de enfrentamento.
5. Cuide da regulação emocional e recarga física/mental
Atividades de relaxamento, exercícios físicos, descanso adequado, meditação ou terapia são importantes. A produção intensa exige recuperação constante.
6. Mantenha uma relação saudável com métricas
Entender que números são indicadores, não definem valor próprio ou autoestima. Reconhecer o impacto emocional que métricas geram e tratar como parte do trabalho, não como identidade pessoal.
7. Buscar apoio profissional quando necessário
Se houver sinais de ansiedade persistente, humor deprimido, insônia ou sofrimento significativo, procurar psicólogo ou psiquiatra. O trabalho digital não elimina o impacto psicológico e pode exigir acompanhamento.


Destaque Sonhei Falei:
Para criadores de conteúdo, as redes sociais não são apenas palco, mas também campo de batalha emocional — o uso intensivo, a comparação constante e o fluxo ininterrupto de métricas podem levar a ansiedade, estresse e exaustão; cuidar da saúde mental é tão essencial quanto postar.

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